[última atualização: agosto de 2016]

Estratégia pedagógica e considerações sobre a didática



Há dois atores nesta peça. O professor é responsável pelo ensino, e o estudante é responsável pela aprendizagem. Não existe fórmula mágica que um professor possa usar para ensinar uma turma, ou que um estudante possa usar para aprender sem esforço. Principalmente porque estas duas cenas não ocorrem ao mesmo tempo. Primeiro o professor ensina os alunos, em seguida os alunos se tornam estudantes, e estudam para aprender.

A aula é o momento em que o aluno resolve suas dúvidas e percebe o que deve estudar. O aluno poderia fazer isso sozinho, mas a aula é pelo menos duas vezes mais eficiente para esse fim. Boa aula é aquela que o aluno entende o conteúdo e percebe o que ele precisa estudar para aprender definitivamente. É muito difícil que um aluno aprenda apenas com a aula. Entender é qualitativo, enquanto que aprender é quantitativo. O momento da aprendizagem é quando o aluno abre o livro, o caderno e estuda sozinho o conteúdo que o professor passou em aula (ou seja, quando se torna um estudante). E o aluno terá aprendido apenas quando for capaz de responder as perguntas e resolver os problemas sozinho (sem livros ou formulários).

O momento da aula é o momento do ensino. Mesmo que haja planejamento e que o conteúdo programático seja executado com excelência, é impossível obter eficiência no ensino se o professor utiliza um método meramente expositivo, colocando os alunos como expectadores passivos da disciplina. Se os alunos não forem estimulados a refletir e exercitar o conteúdo da disciplina fora da sala de aula, o conhecimento que estes obterão será superficial e temporário. Os alunos fora da sala de aula devem se tornar estudantes.

Aula dada, aula estudada, hoje.

Infelizmente é um desafio manter os alunos incentivados, principalmente quando eles estão imersos em distrações tecnológicas, não possuem cultura de estudo (não sabem a diferença entre "aluno" e "estudante"), e cursam a disciplina com deficiências de base, causando um desinteresse intrínseco pelo conteúdo. Para piorar, um estudante que encontra dificuldades em resolver os problemas mais simples se torna um aluno que não tem interesse algum em estudar. Ao mesmo tempo, alunos que não têm o costume de estudar, quando o fazem, encontram enormes dificuldades para resolver os problemas mais simples. Cria-se um ciclo de frustração.

Este é um problema crucial que enfrentamos com todas as turmas.

A solução fácil, tomada por uma parcela significativa dos docentes, é exercer o pacto da mediocridade ("O professor finge que ensina, e o aluno finge que aprende"). Para muitos alunos, esse pacto é exercido desde o ensino fundamental, e eles estão tão enterrados nessa cultura que nem se dão conta que o fazem.

Portanto resta ao professor conscientizar insistentemente os alunos que eles devem mudar a forma de agir e pensar, ou o processo de ensino e aprendizagem não será de excelência (nível superior). Alunos que não possuem os pré-requisitos para cursar a disciplina devem ser conscientizados desse fato, e o professor deve trabalhar com eles a recuperação desse conteúdo. Mas isso só deve ser feito fora do horário de aula, caso contrário é impossível cumprir o conteúdo em sua plenitude e com excelência.

Em sala de aula, a postura correta do professor é apresentar o conteúdo da disciplina em sua plenitude, no nível que ela deveria ser dada, e então usar todos os meios possíveis para induzir os alunos a pensar, debater e estudar esse conteúdo. Para isso, há livros, videos, e aplicativos didáticos, além disso há monitores e horários de atendimento do professor.

Tomar a atitude certa não é fácil pra ninguém. Apresentar o conteúdo todo, sem omissões, aumenta a quantidade de conteúdo semanal que os alunos devem estudar. Apresentar o conteúdo com a profundidade adequada, aumenta a complexidade dos problemas e a cobrança nas avaliações.

Muitos alunos, principalmente aqueles que ainda estão no ciclo básico da engenharia, se sentem encurralados e frustrados quando são obrigados a estudar, superar deficiências de formação (em pouquíssimo tempo) e aprender para passar na disciplina. Alguns desses alunos demoram vários semestres para enfrentar essa realidade, e muitos acabam se formando sem a capacitação necessária para exercer a profissão.

A fim de minimizar o trauma dos alunos e alcançar um alto nível de aprendizagem, a disciplina se divide em duas realidades.

Na primeira, é apresentado o conteúdo em profundidade, tentando despertar nos alunos o interesse pelo aspecto científico e tecnológico da disciplina, e discutindo com eles para que pensem e reflitam sobre a matéria dada. Neste primeiro estágio, é utilizado um texto de alto nível, e é cobrado que os alunos se esforcem para suprimir quaisquer deficiências que, por ventura, tragam em sua formação.

A segunda realidade se refere ao esforço do estudante fora da sala de aula. Ele é incentivado semanalmente a fazer uma lista de exercícios de um livro de nível intermediário (o qual comporá 75% da prova). As listas são pensadas para que sejam executadas em aproximadamente 3 horas, considerando um aluno médio que satisfaça plenamente os pré-requisitos da disciplina.

Caso o estudante encontre dificuldades, é vital que procure o professor e o monitor da disciplina em qualquer horário para tirar dúvidas.

Ao mesmo tempo, a disciplina oferece um ambiente de aprendizagem virtual (moodle) onde são disponibilizados textos, notas de aulas, videos e aplicativos didáticos para complementar esse esforço fora da sala de aula, e ilustrar de maneira um pouco mais concreta os conceitos que estão sendo trabalhados.



Os problemas dessa abordagem



"O problema do Brasil é que temos milhões de alunos e pouquíssimos estudantes". Muitos desses alunos, acostumados ao pacto da mediocridade, consciente ou inconscientemente, consideram a aula um fim e não um meio.

Isso é mais intenso no começo da disciplina, antes da primeira prova, durante a introdução do conteúdo e dos primeiros capítulos do livro. Quanto maior a didática do professor ao apresentar o conteúdo, mais entendimento o aluno terá da matéria em aula, e mais confortável se sentirá em não estudar fora dela.

Mesmo alertados que entender não é aprender, e que só se aprende estudando, não importa o incentivo, muitos alunos não irão estudar. Outros irão "estudar" apenas para as provas, mas como a abordagem escolhida é "apresentar o conteúdo em sua plenitude no nível que ela deve ser dada", a quantidade de conhecimentos necessários para realização dos exames não é obtida em apenas uma semana de estudos antes da prova.

Esses alunos percebem que a aula não é "um fim" apenas depois da primeira prova, muitas vezes quando é tarde demais para recuperar o tempo perdido devido ao acúmulo de matéria e a competição com outras disciplinas. Isso causa grande frustração, e a reação natural é culpar o professor.

A medida que a disciplina avança e a matéria se torna mais complexa, para um aluno que não possui as bases adequadas ou não estuda regularmente, a didática do professor aparenta diminuir. Para um aluno eficiente, isso não acontece.

A solução é o aluno ter sempre uma postura ativa, independente da qualidade do professor:

Planejamento-Método-Disciplina